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2 de dezembro de 2014

Samba, só ele

Salve o samba!

É hoje o dia do, ao meu ver, um dos ritmos mais universais deste Brasil. Aquele que agrega, que quebra preconceitos e paradigmas. Aquele que abre a roda para negros, pobres, mulheres e quem mais se permitir à música.

Brinco dizendo que só posso ter vivido minha encarnação anterior no Rio de Janeiro. Isso explicaria tamanha paixão pelo samba, Lapa e a boemia característica de mestres como Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia, pela Praça Onze, escolas. Estou longe, bem longe, de ser historiadora do assunto. Não há muito tempo para isso.

Mas eis aqui uma apaixonada pela letra e melodia que o samba traz aos meus ouvidos. A história que ela pesa em cada letra. Amores e desamores, sociedade, malandragens e tudo o mais que inspirou cantores que sonharia em ver de perto. Sim, sonho!


Apesar de às vezes haver um distanciamento, ele me completa. E me consola, acaricia, machuca, fere, arranca riso e lágrima. E a próxima tatuagem, cujo trecho está na música de Nelson Sargento, na voz de Beth:



1 de dezembro de 2011

A que fala por mim

Só porque amanhã é o Dia Nacional do Samba:


Coringa
Casuarina

Não aprendi a blefar
Apostei minha última ficha
Dei muita sorte pro azar
Pra me espezinhar você sempre capricha
Eu sempre fui teu coringa,
Mas você bateu de canastra real
Teu baralho tem mandinga
Nada vai mudar a cartada final
A minha dama se foi
Com um valete qualquer
Pensei que tinha cacife,
Mas só ouros você quer
Hoje você vem com pedras, paus e espadas na mão
Só para cortar o naipe do meu coração
Entre trucos e retrucos
Eu nunca pensei
Que a tua tirania faria descartar o rei
Morto dentro do buraco
Eu hoje percebo que perdi
Nem aquele ás de trunfo me tira daqui
Amor de carta marcada
O teu jogo viciado não valia nada





27 de novembro de 2011

O samba e eu

Foi de primeira. Não lembro como, onde e nem quando. Já gravo muitas datas na minha vida, então, deixei esse marco para lá. Também não sei qual foi a brilhante e mágica música que me fez apaixonar por ele, o samba. Ele, que agoniza mas não morre, é bem vivo na minha vida. Aliás, ocupa o meu dia todo.

Enredo, canção, partido alto...não me importa quantas faces ele tem. O amor pelo samba tem que envolver algumas submissões. É preciso aceitar que mais gente se apaixone por ele. Mais: que ele corresponda. Precisamos aprender a dividi-lo porque está no dna dele ser receptivo a todo tipo de afeto, paixão, amor e carinho. Ele me dá atenção o dia todo,  fala comigo do acordar ao adormecer. Às vezes, canta enquanto eu durmo. Sabe quando você tem muita semelhança com alguém? Pronto. É assim com ele. Me conta casos em que pareço ter sido protagonista, descrevendo cada sentimento, seja de alegria, saudade ou dor. Fico até boba com esse talento que ele tem.

Mas também temos nossas crises. Muitas vezes, sem dó e nem piedade, ele fala coisas que eu não queria ouvir. Mas, com um dedilhar e voz suave, me enrola. Coloca o dedo na ferida, me faz lembrar momentos que não queria e até imaginar lembranças que nem tive. Não sei como. Também não sei bem onde ele nasceu e nem o ano. Apesar de pesquisar sobre, nunca foi determinante em nossa relação. Quando pesquiso, vejo no seu passado noitadas de boemias, sempre cercado de gente. Mas, como disse, ele é assim. O que posso fazer? 

Amor não se explica. Sente-se apenas.



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