Acho que os sintomas de final de ano estão invadindo meu ser. Estamos no comecinho de novembro, mas já estou na árdua tarefa de refletir sobre minhas atitudes (ou a falta delas) durante os últimos 11 meses. Já comecei a falar sobre isso com minha mãe e outra amiga. A conclusão é: não fiz nada este ano. A sensação é que não cresci, apenas vivi bem na inércia.
Mas também sei que tudo o que eu fiz teve muitas dosagens de dedicação. Não fiz nada desacreditada. Houve empenho aqui em casa, no trabalho e em minha relação com amigos. Falhei apenas na minha relação comigo. Isso espera um pouco.
De imediato, acho que preciso aprender que o reconhecimento dos que estão ao meu lado não funciona como medidor do meu empenho. É claro que é uma delícia receber elogios, ouvir algo bacana de alguém que lhe é importante. Mas não precisamos (me desculpem se generalizei. Se discordam, podem falar) virar reféns desse tipo de termômetro. Temos é que aprender que nós devemos ser nossos medidores. Afinal, sabemos (sim, se nos olharmos com sinceridade) o tanto que nos empenhamos e sacrificamos por algo ou alguém. Ou também chegamos à conclusão que falhamos, amolecemos. E aí é correr atrás mesmo!
Mas o que fazer quando sabemos que agimos bem e, ao invés do reconhecimento ou do silêncio, vem o oposto? É aí que entra minha próxima etapa: saber que chega um momento em que temos que largar mão. Um exemplo de outra amiga e de minha mãe: tentaram em outra cidade formar uma vida. O feito não foi alcançado. Faltou esforço? Não. Se tentaram mas não deu 'certo', é preciso muita maturidade para saber o momento de voltar. E retornar de cabeça erguida. E assim fizeram.
Se tudo o que podíamos fazer foi feito, o que nos resta? Não já provamos - e nossa consciência também afirma - que cumprimos nosso papel? Então, é deixar com o tempo mesmo. Vamos cuidar do que está ao nosso alcance. Deixa o restante com a vida.
