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22 de maio de 2011

Só para tricolores

Voltei, às 22h50, para o computador para expressar minha indignação com o preconceito que nós, tricolores, sofremos hoje, dia da #carreatacoral. Estive offline durante um período e, ao voltar ao twitter, fiquei pasma ao ler tantas postagens com apenas um objetivo: humilhar os torcedores do Santa Cruz, que são pobres. E é por esse motivo que rubro-negro preconceituoso não deve ler esse post porque ele é feito para pessoas, e não classes sociais.

Ando de ônibus, já fui mais pobre do que sou e sou tricolor. Isso não é exclusividade minha. Uma grande parcela dos tricolores também. Da mesma forma que outros possuem carro e têm condição social melhor. Isso os fazem melhores? Inferiores? Não. Faz apenas eles não usarem transporte público e usufruirem de outras coisas. O torcedor do Santa Cruz é aquele que pertence ao povão. São pessoas que lutam, se sacrificam e garanto: tem um humor invejável. Passamos cinco anos sem ganhar títulos - e vocês, rubro-negros, se orgulham ao dizer isso. Mas sentem uma inveja danada porque, mesmo diante desse jejum de conquistas, colocamos mais de 62 mil torcedores no Arruda, no dia em que tiramos de vocês o hexa - que, agora, vocês esnobam. Ah, também lotamos facilmente o Arruda em qualquer jogo. Não se sintam honrados. Vamos pelo nosso time e não por vocês.

Tenho certeza que todo tricolor conhece ou tem amigo rubro-negro. Eu tenho e sou amiga de muitos. Viu? Não dói ser amiga de um rival futebolístico. Dói ser amiga de alguém que, num momento de inveja e decepção, tira a máscara e põe para fora todo o preconceito guardado, bem escondidinho atrás dos 39 títulos que vocês tanto falam. Bom para vocês. Nós não temos todos esses títulos, não ganhamos a Copa do Brasil e também não dividimos o Campeonato Brasileiro de 1987. Não adianta esse 'orgulho' todo que vocês sentem se não sabem usá-los em benefício próprio. A mesquinharia de vocês derruba qualquer glória.

E nem queremos imitar vocês. Somos tricolores. Só isso. Não somos bons, santos..nada disso. Somos apenas tricolores. Brincar é uma coisa; humilhar é outra bem distante. Portanto, respeitem.

3 de abril de 2011

Nosso Santa

Quando o Santa Cruz ganhou do São Paulo, vieram questionar o motivo de minha alegria, considerando que o gol que nos deu a vitória foi contra. Perguntaram se sou louca, se não tenho o que fazer blábláblá. Ia responder, mas já havia esfriado o assunto. Como hoje requentou, voltei a ele.

Não conquistamos o título. Ainda. Garantimos nossa vaga na Série D - sim, é a última. E é esse o motivo de outros torcedores, principalmente os rubro-negros, nos questionar: por que essa alegria toda? Então, vamos explicar.

O Santa Cruz vive um momento glorioso que há tempos não presenciávamos. Cheguei até a escrever aqui no blog sobre a tristeza que era ir ao Arruda e ver o time perder. Nós, tricolores, sabemos o que precisamos suportar até chegar a este momento.

Hoje, estamos classificados para o quadrangular do Pernambucano, disputamos a liderança e, de quebra, estamos na Copa do Brasil. Até aí, nenhum título, né? Então, vamos falar de patrimônios imateriais: garra, paixão, torcida e humildade. 

Começamos o campeonato como o patinho feio do Pernambucano. O elenco foi ganhando força, Zé Teodoro apostou nos meninos da base e fez o trabalho sem precisar alardear. Foi quieto, mas foi montando esse time de guerreiro. Isso fez uma diferença danada contra o São Paulo, que obviamente, tem mais qualidade que nós. Dizem que foi sorte porque não fizemos o gol. Pode ser, mas duvido muito. O Santa Cruz não se calou. Jogou muito bem, marcou melhor ainda. E repetiu isso hoje, contra nosso maior rival: Sport.

Com dois gols de Gilberto, batemos o Sport na Ilha do Retiro. E o que isso tem demais? Muita coisa. Calamos quem se diz maior torcida do Norte e Nordeste, quem tem não-sei-quantos-títulos-do-pernambucano, um da Copa do Brasil...mimimimimi. Nós, que não tínhamos divisão, que só vínhamos na rebaba, estamos na liderança. E, se os três pontos vêm do Sport, melhor ainda!

E a torcida do "Clube querido da multidão"? ''Maior público do ano no futebol brasileiro", disse o Esporte Espetacular sobre o jogo contra o São Paulo aqui. Lembram do "nunca vou te abandonar''? Então! Não abandonamos esse time por nada. Portanto, se estamos na alegria, deixem-nos retribuir tanto carinho que recebemos quando estávamos no fundo do poço. Não estilem. Chegou nossa vez de gritar: #CHUPACOISA, vestir o manto tricolor, nos arrepiar revendo os jogos, lacrimejando ao ver a torcida, nos encher de orgulho em matérias nacionais. Sem delongas: deixem a gente ser tricolor.

É disso que falo:




31 de outubro de 2010

Que direito?

Infelizmente, só hoje consegui ter tempo para acompanhar a eleição para presidente do nosso Santinha. E, mais infelizmente ainda, pude ver que transparência e respeito não estão agregados a essa democracia. Lendo o Blog do Torcedor, vi a denúncia contra o candidato da situação, Antônio Luiz Neto. Segundo o vídeo lá postado, estava muito fácil conseguir se tornar apto para votar, graças à cúpula da chapa.

Não quero aqui levantar bandeira para nenhum candidato. Como disse, pouco acompanhei o desenrolar das candidaturas e das propostas. O que me chamou a atenção durante a leitura foi a frase atribuída à ALN: “tricolor tem o direito de ajudar o outro tricolor”.

Qual o preço dessa ajuda? Compensa subestimar a paixão da nação tricolor? Sim, talvez ao contrário da eleição na política, a de futebol traz muita esperança arraigada. Uma boa parcela – talvez a maioria – dos torcedores corais não está, por motivos diversos, participando desta votação. Assim, recai para uma menor fatia de torcedores a responsabilidade de eleger o presidente. Mas e se for esse grupo que compactua com armações desse tipo?

Quem compactua não deve ter amor pelo Santa Cruz, não sofreu eliminações, derrotas e, por que não, os vexames. Também não deve ter comemorado cada pontinho conquistado com muito suor e sacrifício. Afinal, lembraria a alegria que sentiu.

Coloco meu pescoço na degola, mas arrisco a dizer e a falar por todos que o sentimento, ao ler matérias deste tipo, é de frustração. Só vem à cabeça: “Nossa. De novo?”, “Mais escândalo?”, “Qual é o verdadeiro objetivo do candidato? Já não basta a crise em que nos encontramos?”. E, finalmente, as perguntas que, para nossa decepção, ainda não têm resposta: Quando isso vai parar e quando vão enxergar o Santa Cruz como um clube de luta e torcida?”.

p.s: texto escrito em 29 de outubro. Ou algum dia antes. Ou depois.

19 de julho de 2010

A árdua paixão

Depois de combinar na sexta-feira, ontem fomos ao que teimam em chamar de jogo, no Arruda. Era Santa Cruz contra o CSA, de Alagoas. A trupe: mainha, meu tio, um primo e eu. Ah, e também foram as senhoras Persistência, a Confiança a Fidelidade. A dona Esperança recuou e, às 14h30, pouco antes da partida, disse que não iria mais uma vez.

Mesmo desacompanhados da dona Esperança, lá fomos nós. Em dia de sol de rachar, caminhamos as três ou quatro ruas que separam minha casa do estádio. Compramos o ingresso e fomos entrar, não sem antes passar por um leve aperto nas catracas. Passou rápido, até porque me concentrei nos arrepios que sentia ao ouvir aqueles fervorosos torcedores cantarem e baterem palma antes de chegar às arquibancadas.

Entramos, procuramos sombra e nos acomodamos para assistir ao espetáculo, que atraiu 20 mil torcedores - o maior público da rodada de todas as séries do Brasileiro. O time do Santa entra em campo, começam os fogos, os cantos, a vibração...aquela energia gostosa. O tio assopra o apito e a Confiança começa a sair do estádio. Cada passe errado, bola furada, cabeceio para o interior de Pernambuco e cobrança errada aumentavam os argumentos da dona Confiança. Não teve jeito. Foi embora.

À medida que o relógio andava, a nossa expressão anuviava. Obviamente, quem é tricolor, tem notável bom  humor. Entre um 'filhodaputa', um 'tocabolacarái' e o mais usual 'vaitomarnocu,juizfilhodaputa', surgia uma piada. O tema? A falta de qualidade de todos os jogadores. E é porque treinam e dependem do salário que recebem. Aliás, chegamos à conclusão de que quem deveria receber salário são os torcedores. Tem que ter alguma retibuição. Já que não vem em formato de vitória, que se encha o bolso!

Quando o CSA fez o suado gol, a Fidelidade começou a ir embora. Alguns não aguentaram tanta tortura e voltaram mais cedo para casa. Outros, como nós, resistem e assistem até o final. Para os que ficaram lá, acompanhados da tímida Persistência, restou desabafar com vaia ao vexame apresentado durante 90 minutos.

O Santa Cruz perdeu na estreia da série D, que, à propósito, foi criada por nós. Despencamos tanto na tabela que nos restou montá-la. É mais ou menos assim: todos os piores times do Brasil disputam para ver quem será o menos ruim na série C. No ano passado, não conseguimos esse feito de subir. Permanecemos na última. Isso, por si só, justificaria qualquer evasão nos estádios do Náutico e Sport, nosso rivais. Com o Santa Cruz, não. 

Nós criamos motivos para ter alegria. Inventamos desculpas para comemorar, sorrir e pagar pelo ingresso. E isso é motivo de inveja de outros torcedores. Nenhum outro tem esse patrimônio: torcida. Sim, distorcemos também. Manter a fé é uma trabalhosa tarefa. Levar a dona Esperança ao estádio é uma lenda agora. 

Nesta segunda-feira, ainda ressacados, estamos acompanhando as consequências da derrota para o CSA (segundo meu primo, o CSA entrou de afoito na disputa. Na verdade, outro time de Alagoas conquistou a vaga, mas perdeu, com as chuvas, perdeu tudo, inclusive o campo). Nem as mudanças que estão para acontecer vão fazer com que a dona Esperança volte atrás de sua decisão de não ir mais aos jogos do Santa. Só apelamos agora para a Fidelidade e Persistência. Nossas eternas companheiras.


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